Como você já leu, estamos trazendo entrevistas com quem conhece o Arsenal, e agora trazemos mais uma. Vamos bater um papo com o mestre Rafael Oliveira, um dos maiores informantes no Brasil do futebol inglês. E se prepare, estamos tentendo mais entrevistas, tudo para todos que já são da casa, e sempre se informam aqui.
Então, com um enorme prazer, mais um á ser entrevistado.
Ae está, leia, ficou muito boa.
1) Obrigado por conceder essa entrevista, será um prazer entrevistar um mestre do futebol inglês.
Eu que agradeço a chance de bater papo com a galera que também gosta do futebol inglês. Obrigado pelos elogios.
2) Desde a chegada de Wenger no Arsenal, ele só contratou “garotos” você acha que essa mentalidade está atrapalhando o time nos campeonatos?
São coisas diferentes se a gente analisar todo o trabalho do Wenger no Arsenal. Olhando apenas para esses últimos anos, podemos questionar vários pontos da filosofia do treinador, até pelo investimento feito em promessas que deram certo em outras equipes ou estouraram e não foram mantidas.
No geral, o trabalho do Wenger foi excelente até hoje. São 14 anos no comando e, apesar do momento não ser bom, ele foi quem reergueu o clube. É só lembrar que foi apontado treinador num período ruim, em que a equipe vinha de duas temporadas muito decepcionantes, inclusive com um 12º lugar em 1995. Ele aproveitou uma base que tinha talento e levou bons jogadores estrangeiros para a equipe. Com Vieira e Bergkamp já no título de 1998, foi o início do ciclo que traria muitos resultados também em 2004, com a fantástica campanha na Premier League.
Com o fim da primeira era, Wenger passou a investir pesado em promessas, até como uma maneira de gerar sucesso para o clube sem contratações milionárias. Fabregas, Van Persie e Flamini tinham tudo para formar a base de um novo Arsenal vencedor, mas aí começaram os problemas. A saída do francês só evidenciou a dificuldade do clube em segurar quem se destaca. Bentley tinha sido outro exemplo, anos antes. Mérida é um caso atual de talento observado e trazido por Wenger, mas que não fica até se firmar.
Não acho que a mentalidade atrapalhe. A filosofia é bem interessante. O problema é que, com alguns anos sem vencer, a pressão aumenta e o ambiente deixa de ser propício para o lançamento de promessas no time. É uma responsabilidade enorme chegar ao grupo principal já com a “obrigação” de lutar pelo título. Aí entra a importância de tentar mesclar a base com jogadores mais importantes. Foi num cenário mais tranqüilo que Fabregas e Van Persie conseguiram mostrar talento, pois tinham Vieira, Gilberto Silva, Bergkamp e Henry nos setores.
3) As lesões muito comuns no Arsenal atrapalham demais, será que o “quase” do Arsenal no inglês se dá á isso e o time ser jovem?
Com certeza tudo isso influencia bastante. Frequentemente o Arsenal perde suas “referências” por lesão. Fabregas e Van Persie principalmente, mas não são os únicos. Apesar da fama de “elenco muito jovem”, a equipe tem jogadores mais experientes, mas que sofrem com problemas físicos e não conseguem sequência. É o caso do Rosicky, por exemplo. É incrível como o departamento médico do Arsenal está sempre lotado.
Se você pensa num Arsenal com Vermaelen, Gallas, Fabregas, Nasri, Rosicky, Arshavin e Van Persie saudáveis durante boa parte da temporada, enxerga uma excelente base. Sem contar Walcott, Song e Denílson, que ainda são irregulares, mas apresentam muito potencial. O problema é encontrar UM jogo em que Wenger tenha contado com todos eles. Até por isso gostei da chegada do Sol Campbell na última temporada. Foi bem quando entrou e é o tipo de opção que evita que um garoto seja jogado na função para suprir a ausência de alguém.
4) O meio Denílson fez uma tempoarada muito boa, será que não tería uma vaga na lista do Dunga para ele, ou por não ser testado antes pesou em testar ele agora?
Acho que fica mais pela segunda opção. Eu gosto bastante do futebol do Denílson, mas a temporada 08/09 dele foi melhor que a 09/10. Em alguns momentos, ele merecia ter sido chamado para a seleção, até pela capacidade que tem de marcar e sair para o jogo, com uma função tática que dificilmente vemos nos volantes brasileiros. Como não foi convocado, realmente passou um pouco da fase para testá-lo e faz sentido não ser chamado para a Copa. Mas acho que tem tudo para chegar à seleção nos próximos anos.
5) Eu não podia deixar de perguntar, diga para nós, qual time você torce na Inglaterra?
Torcer (de verdade), eu não torço para nenhum. Gosto muito de quase todos os clubes ingleses e, para ser sincero, varia muito. Depende da época, do time que entra em campo, da fase de algum jogador… Às vezes, só durante o jogo eu me dou conta de que prefiro que um dos dois vença o jogo. Vai muito pelo momento. Mas se tem um time que eu tenho um pouco mais de simpatia é oTottenham, grande rival do Arsenal.
6) Voltando ao Arsenal, os titúlos estão faltando, Wenger pode balançar no cargo por isso?
Em algum momento sim. Acredito que passa muito mais pela possibilidade dele receber proposta do que o Arsenal mandá-lo embora. A pressão vai aumentar com o passar dos anos sem títulos, e aí dependerá muito da própria torcida. Até agora, o apoio é grande. Apesar de se decepcionar, o torcedor costuma deixar claro que admira muito o trabalho de Wenger. Até porque uma coisa é indiscutível: ele faz o time jogar bonito. Falta ser mais regular e eficiente em momentos importantes, mas dá espetáculo quando joga o que pode. E o técnico tem muita responsabilidade na movimentação que já virou característica do Arsenal, independente de quem está em campo.
7) O que você sabe sobre os jovens do time inferior do Arsenal, temos algum craque á chegar?
O Arsenal tem uma base muito boa e conquista vários títulos, até por ser um dos pioneiros na filosofia de buscar talentos pelo mundo. Em 2009 já havia vencido a Copa da Inglaterra sub-18 e nesta última temporada conquistou o Campeonato Inglês da categoria.
Tem alguns destaques. Real candidato a craque é o mais conhecido: Jack Wilshere, que esteve emprestado ao Bolton recentemente. Aaron Ramsey também tem talento, mas a grave lesão dificulta qualquer previsão. Outro que entraria facilmente na lista é Fran Mérida, que acabou de ir para o Atlético de Madri.
Em relação à garotada ainda mais jovem, o Benik Afobe, atacante que cai pelo lado esquerdo, foi um dos principais nomes da temporada. O Eastmond já jogou no time principal e pode crescer ao longo dos anos.
Tudo depende da maneira que eles chegam ao elenco de cima. Tem muita gente que joga bem na base e depois não dá em nada. Até por isso é legal ver os jogos da Copa da Liga, pois é quando Wenger dá espaço para a garotada. Jay Emmanuel-Thomas é um atacante que vai muito bem na base, mas deve sofrer bastante com a transição para o profissional.
8 ) Em todo trabalho de Wenger, ele foi bem?
Como respondi lá em cima, no geral, o trabalho do Wenger é muito bom.
9) Pra terminar, Arsenal ganha alguma coisa nessa temporada?
Seria uma surpresa para mim se o Arsenal ganhasse o Campeonato Inglês. Não vejo a equipe entrando para lutar pelo título. O interessante é que a disputa está muito boa, com todo mundo mais nivelado, como já aconteceu em 09/10. O crescimento de Tottenham, Aston Villa, Man City e até do Everton faz a competição ficar muito equilibrada na zona de classificação para as competições européias.
Óbvio que ainda temos a janela de transferências e muito pela frente, mas meu palpite para o Arsenal seria de repetir a temporada anterior. E claro que vai passar pela permanência de Fabregas também. É fundamental que o clube consiga segurar o espanhol. Se ele sair, complica muito até para ficar com vaga na Liga dos Campeões, a não ser que Wenger “ache” um substituto.
Como falamos antes, o sucesso do Arsenal também depende muito das lesões. Então é, de certa forma, imprevisível. De qualquer maneira, gostei da contratação do Chamakh. Não é um atacante brilhante e nem está entre os melhores, mas dá uma opção que o clube não tinha: um jogador que sirva de referência na área. Chamakh cabeceia muito bem, e isso é importante de se ter no elenco.
10) Obrigado pela entrevista, abraço.
Valeu. Eu que agradeço. Sucesso aí no blog e boa sorte com o Arsenal na próxima temporada. Abraço!

Como vocês entrevistaram o Rafael Oliveira ?
Grande comentarista, principalmente do futebol inglÊs, e tow na torcida para que o Arsenal se der bem nessa temporada, mas vai depender como dito aí, da permanência do Fabregas…E de algumas contratações experientes…
Não conhecia esse site, ví agora no twitter do Rafael…
Muito bem…
Go Gunners.!
Vocês deviam entrevista o Vitor Sergio Rodrigues, companheiro do Rafael Oliveira. Ele é um Gunner fanático!